• Arianne Fontainha

Toda escolha implica perda



E após um soco de realidade, era hora de levantar e caminhar com as minhas próprias pernas, seguindo a direção de um GPS que me levasse para um bom lugar, não um lugar que aflorasse as minhas dores.


O mundo não havia parado para que eu sucumbisse, e essa verdade é dolorida... O mundo não para, nem pra mim, nem pra você e nem pra qualquer ser vivo desse planeta.


Eu tinha comigo duas coisas, na mão direita havia um receituário de sibutramina e antidepressivo (fluoxetina para os mais íntimos) e na esquerda havia a possibilidade de decidir fazer acontecer sem inibidor de apetite e sem remédios para depressão. Duas opções, prontinhas para serem usadas. Cabia a mim, somente a mim, escolher!


Havia o caminho de ir até uma farmácia, pagar pelos remédios e me comprometer a toma-los e havia o caminho de pagar o preço para caminhar com a consciência de que eu era a única responsável por não me cuidar e fazer isso sem remédio.


E que fique claro, eu não tenho nada contra a escolha de utilizar remédios, nada mesmo! EU não gosto de tomar remédios, EU nunca gostei. Sempre afirmei que “se você me vir tomando remédio, é porque a dor chegou ao estágio insuportável”. E cada um tem a sua própria escolha de decidir como seguir seu caminho.


E doeu optar por não toma-los, porque a dor já era inaceitável.


Decidi por retomar um hábito que aprendi com a minha mãe e que sempre gostei, mas havia jogado para escanteio, LER!


Já havia visto pessoas postando, falando e até via várias pessoas carregando o livro “O Milagre da Manhã”, do autor Hal Elrod. No livro ele aborda como uma rotina matinal mudou a vida dele e inspira pessoas a fazerem o mesmo.



E como dizia um grande amigo meu,

“o que é um peido para quem está todo cagado?” E acredite, quando se está de mal com você mesma, tudo é uma merda, tudo que te tira de um lugarzinho chamado ZONA DE CONFORTO, é uma MERDA!



Voltar a ler me tirava da minha zona de conforto, fazer uma caminhada me tirava da minha zona de conforto, procurar assuntos como “o que fazer para emagrecer” era insuportável e mais uma vez me tirava da porcaria da minha zona de conforto!!!

Como eu escolhi a opção da minha mão esquerda, ali estava eu, com meu livrinho na mão, o coração aberto pra ele e a esperança de que fosse o início de uma grande história, a do autor.


Mal sabia eu que ali começaria a minha grande história também...


“O Milagre da Manhã” consiste muito em despertar a sua atenção para o fato de que adotar hábitos matinais (e noturnos também) saudáveis podem transformar alguns pilares da sua vida e ele chega com vários socos e voadoras de amor, várias doses de “acorda menina!!”, para mim, foi uma iniciação para o despertar do poder da auto responsabilidade.

“FAÇA O QUE É CERTO, NÃO O QUE É FÁCIL”.

Recado dado! Comecei a pensar que fazia muito sentido, eu tinha duas escolhas, em minha opinião uma parecia ser fácil (mas sabemos, eu e vc, que não é um caminho fácil e prático, sabemos muito bem dos efeitos colaterais) e a outra era muito difícil, porque dependia de mim, do meu esforço, da minha dedicação, tudo era voltado apenas para mim, para a minha vontade de fazer dar certo. E eu precisava fazer dar certo.

Abaixa que vem mais uma voadora!!

SE VOCÊ QUER QUE SUA VIDA SEJA DIFERENTE, PRECISA ESTAR DISPOSTO A FAZER ALGO DIFERENTE.

O meu hábito era não fazer nada, afinal, não fazer nada também é um hábito. Acordava resmungando que tinha que ir trabalhar, tomava banho reclamando que queria mais meia hora de sono, engolia qualquer besteira reclamando que não tinha tempo nem de tomar café direito... e assim eu iniciava minha rotina.


Fala pra mim, qual a chance de isso dar certo? Qual a chance de que o dia fosse

produtivo, quando eu o iniciava dessa maneira?


Com o passar dos dias fui criando coragem (porque vontade eu tinha, mas estava inerte até então), comecei a seguir as dicas do autor, acordava com a responsabilidade de não desligar o despertador e voltar a dormir, abria os olhos e agradecia por mais um dia... comecei dando o melhor que eu tinha disponível naquele momento.


E pela primeira vez, depois de muito tempo, eu sentia orgulho de mim. Eu sabia que estava muito longe de alcançar o que imaginava, mas eu estava orgulhosa por ao menos conseguir acordar mais cedo e não reclamar por mais um dia, mais uma oportunidade.


Vi surgir leves resultados... agradecia por mais um dia, tomava banho repetindo frases do tipo “meu dia será incrível”, “entregarei todas as minhas pendências”, “farei acontecer”, “meu dia será brilhante”, “eu nasci pra brilhar”, “eu sou suficiente”, “eu faço o meu dia ser produtivo”.


Senti que emagrecer era um grande detalhe, mas havia outras coisas que eu precisava rever. As minhas atitudes não pareciam ser de alguém que clamava por mudança.


Reconhecer que as minhas escolhas estão em minhas mãos e que cada escolha implica em alguma perda, era um baita começo, era um passo gigantesco, era uma luz que eu acendia em mim, começando a preencher espaços vazios!


"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências".

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